Turismo Regenerativo
O turismo, como setor econômico, aprendeu a medir-se por indicadores de extração: visitantes, ocupação, receita. A virada conceitual proposta pelo Turismo Regenerativo encontra eco direto na economista Kate Raworth e seu modelo da ‘economia donut’: um sistema só é saudável quando opera dentro de um teto ecológico e acima de uma base social mínima, gerando prosperidade sem esgotar os sistemas que a sustentam. Aplicado a um destino, isso significa que o sucesso não pode ser medido apenas pelo volume de visitantes, mas pela capacidade do território de sair de cada ciclo turístico mais forte — ambiental, cultural e economicamente — do que entrou.
Essa lógica dialoga com a economia ecológica de Herman Daly, para quem a economia é um subsistema contido dentro de uma biosfera finita, e não o contrário. Um destino que trata seus recursos naturais e culturais como inesgotáveis — paisagens, nascentes, tradições — inevitavelmente os degrada; um destino regenerativo reconhece limites e projeta o dinheiro gerado pelo turismo para circular dentro do próprio território, fortalecendo agricultura familiar, artesanato e pequenos negócios, em vez de vazá-lo para cadeias externas.
A economista Elinor Ostrom, laureada com o Nobel por seu trabalho sobre governança de recursos comuns, mostrou empiricamente que comunidades conseguem gerir recursos compartilhados de forma sustentável quando existem regras claras, confiança mútua e monitoramento coletivo — sem depender exclusivamente do Estado ou do mercado. Um destino como rede de pousadas, produtores, guias e poder público funciona, em essência, como um sistema de recursos comuns: sua prosperidade depende de cooperação territorial, não de competição isolada entre empreendimentos.
Na Pousada Casa Campestre, Jefferson Renó e Alessandra Vinhas compreendem que a hospitalidade de excelência não pode prosperar isoladamente da Serra da Mantiqueira que a cerca. Por isso, cada parceria com produtores de Gonçalves, cada hóspede direcionado a uma queijaria ou a um agricultor orgânico local, é também um investimento na saúde do território — a aposta de que uma economia regenerativa, circulando entre pessoas reais, deixa a região mais forte a cada estadia, não apenas mais visitada.
