top of page
< Voltar

Inteligência Artificial Aplicada ao Experience Design

B. Joseph Pine II e James Gilmore, ao cunharem o conceito de economia da experiência no final dos anos 1990, já argumentavam que o próximo estágio de diferenciação competitiva não estaria em produtos ou serviços, mas em experiências deliberadamente encenadas em torno do indivíduo. O que os autores não poderiam prever com precisão era o instrumento que tornaria essa encenação individualizada viável em escala: a Inteligência Artificial. Durante décadas, encenar uma experiência única para cada hóspede exigia uma quantidade de memória institucional que dependia inteiramente da retenção e disponibilidade de colaboradores específicos. A IA desloca essa capacidade para uma camada sistêmica, permitindo que a promessa da economia da experiência — tratar cada hospedagem como única — deixe de ser um ideal aspiracional e passe a ser operacionalmente sustentável.


Uma segunda contribuição teórica ilumina por que essa capacidade importa tanto: a regra pico-fim (peak-end rule), formulada por Daniel Kahneman a partir de seus experimentos sobre memória e julgamento retrospectivo. Kahneman demonstrou que a avaliação que uma pessoa faz de uma experiência prolongada não resulta de uma média de todos os momentos vividos, mas é desproporcionalmente determinada por seu momento de maior intensidade emocional e por seu desfecho. Isso significa que a gestão da experiência não deveria distribuir recursos uniformemente ao longo da jornada, mas concentrar atenção desproporcional exatamente nos instantes que se tornarão, na memória do hóspede, representativos de toda a estadia.


É exatamente nesse ponto que a Inteligência Artificial encontra sua função mais estratégica: não em substituir a sensibilidade humana, mas em ajudar a identificar, a partir de padrões em avaliações, comentários e históricos de CRM, quais momentos de fato operam como esses picos na memória coletiva dos hóspedes. Um gestor sozinho, por mais experiente, dificilmente conseguiria processar centenas de relatos para extrair esse padrão com precisão estatística; um sistema de IA pode fazê-lo, devolvendo ao ser humano uma hipótese mais informada sobre onde investir cuidado, tempo e recursos emocionais.


Na Pousada Casa Campestre, Jefferson Renó e Alessandra Vinhas entendem essa integração como uma ampliação, e não uma substituição, da sensibilidade que sempre guiou o negócio. Saber que a chegada ao chalé, a vista das montanhas ao entardecer ou o café da manhã diante da paisagem da Serra da Mantiqueira funcionam como momentos de pico não é uma descoberta que a tecnologia faz sozinha — é uma hipótese que ela ajuda a testar, para que a equipe em Gonçalves possa investir sua energia humana exatamente onde ela se transforma, de maneira mais confiável, em memória afetiva duradoura.

—Pngtree—whatsapp icon whatsapp logo whatsapp_3584845.png
bottom of page