A Paisagem como Memória
Por Jefferson Renó e Alessandra Vinhas, fundadores da Pousada Casa Campestre
Atualizado em:
25 de setembro de 2026
A paisagem se torna memória quando está associada a um momento vivido com atenção, e costuma ser uma das lembranças mais duradouras de uma viagem. Na Pousada Casa Campestre, em Gonçalves (MG), cada chalé tem uma sacada com rede voltada para a paisagem da Serra da Mantiqueira.
Fundamentos Científicos do Destino
A paisagem sempre exerceu profunda influência sobre a experiência humana. Muito antes de ser estudada pela ciência, montanhas, florestas, rios e horizontes já despertavam sentimentos de admiração, pertencimento e contemplação. Ao longo da história, filósofos, artistas, geógrafos e naturalistas compreenderam que determinados lugares permanecem vivos na memória das pessoas muito tempo depois de terem sido deixados para trás. Hoje, diferentes áreas do conhecimento demonstram que essa percepção possui fundamentos científicos. A paisagem não é apenas observada. Ela é sentida, interpretada, armazenada na memória e incorporada à própria história de vida. A Psicologia Ambiental demonstra que os ambientes influenciam diretamente a forma como percebemos, organizamos e recordamos nossas experiências. Cada lugar produz estímulos visuais, sonoros, olfativos e táteis que são processados simultaneamente pelo cérebro. Quando esses estímulos despertam emoções positivas, aumentam significativamente as chances de que aquela experiência seja armazenada de forma duradoura. A memória deixa de registrar apenas o local visitado e passa a preservar tudo aquilo que foi vivido naquele ambiente. A Neurociência explica esse processo por meio da interação entre diferentes estruturas cerebrais. O hipocampo participa da formação das memórias relacionadas aos lugares e aos acontecimentos vividos. A amígdala cerebral associa essas lembranças às emoções experimentadas durante a experiência. Quando um ambiente desperta encantamento, tranquilidade, admiração ou felicidade, essas emoções fortalecem o processo de consolidação da memória. Por essa razão, experiências emocionalmente positivas tendem a permanecer vivas durante muitos anos.
Outro conceito importante encontra-se na memória episódica, estudada pela Psicologia Cognitiva. Esse tipo de memória registra acontecimentos específicos vividos em determinado tempo e lugar. Diferentemente da memória factual, ela preserva o contexto completo da experiência. Não lembramos apenas que estivemos em uma montanha. Recordamos a temperatura do ar, o cheiro da vegetação, a luz do entardecer, a pessoa que estava ao nosso lado, a conversa daquele momento e as emoções que sentimos. A paisagem funciona como um poderoso elemento organizador dessas lembranças. Os estudos da Geografia Humanista ampliam essa compreensão ao demonstrar que as paisagens possuem significado muito além de sua dimensão física. Um lugar torna-se importante porque passa a representar experiências humanas. As montanhas deixam de ser apenas formações geológicas. Transformam-se em símbolos de descanso, contemplação, liberdade ou reencontro. A paisagem adquire identidade emocional. O território passa a fazer parte da memória das pessoas. Outro conceito fundamental é o de place attachment, ou apego ao lugar. Desenvolvido na Psicologia Ambiental e na Geografia, esse conceito descreve o vínculo afetivo construído entre indivíduos e determinados espaços. Esse vínculo não depende apenas da beleza da paisagem. Surge principalmente das experiências vividas naquele ambiente. Um pedido de casamento realizado diante de uma montanha. Uma caminhada compartilhada entre araucárias. Um café apreciado observando a neblina. Um pôr do sol contemplado em silêncio. Cada experiência fortalece a relação emocional entre a pessoa e o lugar.
Na Serra da Mantiqueira, essa construção da memória acontece de maneira particularmente intensa. A paisagem encontra-se em permanente transformação. A luz modifica continuamente as cores das montanhas. A neblina percorre lentamente os vales durante as primeiras horas da manhã. O vento altera o movimento das árvores. As estações renovam a vegetação. O céu apresenta tonalidades diferentes ao amanhecer e ao entardecer. Nenhum dia é exatamente igual ao anterior. Essa constante renovação mantém a paisagem viva e amplia sua capacidade de surpreender o visitante. Outro aspecto importante refere-se ao conceito de paisagem multissensorial. Durante muito tempo, a paisagem foi compreendida apenas como aquilo que podia ser visto. Hoje, os estudos da percepção ambiental demonstram que ela envolve todos os sentidos. A visão contempla as montanhas. A audição percebe o vento, os pássaros e as águas. O olfato identifica o perfume da mata, da terra molhada e das flores. O tato sente a temperatura do clima de altitude e a umidade da neblina. O paladar associa a experiência aos sabores regionais. A memória integra todos esses estímulos em uma única recordação. A Neurogastronomia reforça essa compreensão ao demonstrar que sabores e aromas possuem extraordinária capacidade de despertar lembranças. Um café especial produzido na Mantiqueira. Um queijo artesanal degustado durante a viagem. O perfume da vegetação depois de uma chuva. Esses estímulos permanecem associados à paisagem e podem, anos depois, reativar instantaneamente memórias construídas durante a estadia.
Outro conceito relevante é o de memória autobiográfica. Esse campo da Psicologia demonstra que determinadas experiências tornam-se marcos na narrativa pessoal de cada indivíduo. Não lembramos apenas da viagem. Lembramos do momento da vida em que ela aconteceu. Uma lua de mel. Um aniversário de casamento. Uma celebração especial. Um período de descanso depois de meses intensos de trabalho. Uma viagem para reencontrar o equilíbrio. A paisagem passa a representar também aquela etapa da própria história. A Psicologia Positiva demonstra que emoções como serenidade, gratidão, encantamento e admiração ampliam significativamente a qualidade das lembranças. Ambientes capazes de despertar essas emoções tendem a produzir memórias mais profundas e duradouras. A contemplação de uma paisagem preservada favorece exatamente esse tipo de experiência. O visitante não apenas observa a natureza. Ele desenvolve uma relação emocional com ela. Na Serra da Mantiqueira, diversos elementos favorecem esse processo. As montanhas criam sensação de amplitude e liberdade. As araucárias conferem identidade visual ao território. As cachoeiras oferecem movimento e sonoridade permanentes. Os vales ampliam a percepção do horizonte. A neblina transforma continuamente a paisagem. As noites estreladas despertam contemplação. Cada elemento participa da construção de uma memória rica em detalhes sensoriais e emocionais. Outro aspecto importante refere-se à relação entre memória e repetição. Os estudos demonstram que lugares emocionalmente significativos costumam ser revisitados diversas vezes ao longo da vida. Não porque o visitante deseje apenas rever a paisagem, mas porque deseja reviver as emoções experimentadas naquele ambiente. Cada retorno fortalece ainda mais o vínculo afetivo com o território e acrescenta novos capítulos à memória construída anteriormente.
Essa característica explica por que muitos destinos naturais desenvolvem elevado índice de fidelização de visitantes. O retorno não acontece apenas pela qualidade da infraestrutura turística. Acontece porque o lugar passou a integrar a história pessoal do viajante. As lembranças criadas durante visitas anteriores tornam-se parte da motivação para novas viagens. O destino deixa de ser apenas um local turístico e transforma-se em um espaço de pertencimento. Os estudos da Economia da Experiência também demonstram que as pessoas atribuem maior valor às experiências capazes de gerar lembranças duradouras do que àquelas baseadas apenas no consumo material. Uma fotografia pode registrar a paisagem. Mas aquilo que permanece ao longo dos anos são as emoções vividas diante dela. A memória transforma-se, assim, em um dos principais patrimônios produzidos pela atividade turística. Por essa razão, compreender a paisagem como memória representa uma das perspectivas mais importantes do turismo contemporâneo. Em destinos como Gonçalves, a natureza deixa de cumprir apenas uma função estética. Ela participa diretamente da construção das experiências que os visitantes levarão consigo durante toda a vida. As montanhas tornam-se cenários de encontros. As araucárias acompanham conversas inesquecíveis. A neblina envolve os primeiros instantes de um novo dia. O céu estrelado encerra noites memoráveis. A paisagem passa a integrar a memória afetiva de quem visita a Serra da Mantiqueira, demonstrando que alguns lugares não permanecem apenas nas fotografias. Permanecem, sobretudo, na história e no coração das pessoas.
O Destino na Experiência da Hospitalidade
Na Pousada Casa Campestre, compreendemos que uma viagem começa muito antes do check-in e continua muito depois do check-out. Ela permanece viva naquilo que o visitante recorda, nas histórias que conta, nas fotografias que revisita e nas emoções que reaparecem sempre que um aroma, um sabor ou uma paisagem despertam suas lembranças. Acreditamos que a verdadeira Hospitalidade de Excelência não consiste apenas em oferecer conforto durante alguns dias. Consiste em participar da construção de memórias que acompanharão nossos hóspedes por toda a vida. Os Hospitality Studies demonstram que as experiências mais marcantes são aquelas capazes de estabelecer conexões emocionais profundas entre pessoas e lugares. O visitante dificilmente recorda todos os detalhes técnicos de uma hospedagem. A paisagem torna-se parte inseparável dessas recordações. Em Gonçalves, essa construção acontece naturalmente. A Serra da Mantiqueira modifica constantemente a forma como o visitante percebe o território. Cada amanhecer apresenta uma nova combinação de luz, neblina e montanhas. Cada tarde revela diferentes tonalidades sobre os vales. Cada entardecer colore o horizonte de maneira única. Cada noite oferece um céu estrelado diferente. A paisagem nunca permanece exatamente igual. Essa permanente transformação faz com que cada dia da viagem seja vivido como uma experiência inédita.
Na Pousada Casa Campestre, valorizamos profundamente essa característica. Não desejamos que nossos hóspedes apenas observem a natureza. Procuramos criar condições para que convivam com ela. A paisagem acompanha o despertar. Está presente durante o café da manhã. Surge ao longo das caminhadas pelos jardins. Envolve os momentos de descanso na varanda. Acompanha as conversas ao entardecer. Permanece silenciosamente presente durante toda a estadia, tornando-se parte da própria experiência de hospitalidade. Outro conceito importante encontra-se na Economia da Experiência. Os estudos dessa área demonstram que experiências memoráveis são construídas pela combinação entre ambiente, emoção e significado. Um mesmo lugar pode produzir lembranças completamente diferentes dependendo da forma como é vivido. Uma montanha observada rapidamente torna-se apenas uma paisagem. A mesma montanha contemplada durante uma conversa importante, um pedido de casamento ou um momento de profundo silêncio transforma-se em uma lembrança que dificilmente será esquecida. É exatamente isso que acontece em Gonçalves. As montanhas deixam de representar apenas um elemento geográfico. Tornam-se cenário para histórias pessoais. Um casal contempla o nascer do sol depois da primeira noite da lua de mel. Outro celebra décadas de casamento observando a neblina subir lentamente pelo vale. Alguém reencontra a tranquilidade após um período difícil da vida. Outro descobre o prazer de permanecer alguns minutos em absoluto silêncio diante da natureza. A paisagem incorpora essas emoções e passa a fazer parte da memória de cada visitante.
A Psicologia Ambiental demonstra que ambientes preservados favorecem estados de atenção plena e ampliam a capacidade de perceber detalhes normalmente ignorados na rotina urbana. Em vez de caminhar apenas para chegar a um destino, o visitante passa a observar o desenho das montanhas, a textura das araucárias, o movimento das nuvens, a mudança da luz entre as árvores e o voo das aves. A contemplação transforma-se em uma experiência ativa. O olhar desacelera. A memória registra muito mais do que imagens. Registra sentimentos. Na Pousada Casa Campestre, acreditamos que contemplar também é uma forma de viver. Muitas vezes, nossos hóspedes escolhem permanecer longos minutos apenas observando a paisagem da varanda. Outros acompanham a mudança das cores do céu ao entardecer. Alguns despertam cedo para assistir ao nascer do sol. Outros preferem apreciar a neblina envolvendo lentamente as montanhas enquanto tomam uma xícara de café. Esses momentos não possuem roteiro nem programação. Ainda assim, costumam tornar-se algumas das lembranças mais intensas da viagem. Outro aspecto importante refere-se à relação entre paisagem e tempo. A vida contemporânea acostumou as pessoas a experimentar lugares rapidamente. Fotografar. Compartilhar. Seguir para a próxima atividade. A Serra da Mantiqueira propõe uma experiência completamente diferente. Ela convida à permanência. Ensina que uma mesma vista nunca é exatamente igual. A luz muda a cada instante. O vento altera o movimento das árvores. A neblina transforma o horizonte. A paisagem recompensa quem permanece observando.
Essa permanência fortalece a construção da memória. Os estudos da Psicologia Cognitiva demonstram que experiências vividas com atenção plena tendem a produzir lembranças mais profundas e duradouras. Quando o visitante desacelera e realmente observa o ambiente, o cérebro registra maior quantidade de informações sensoriais e emocionais. A recordação torna-se mais rica. Mais detalhada. Mais significativa. A gastronomia também participa desse processo. Um café da manhã apreciado diante das montanhas dificilmente será lembrado apenas pelos alimentos servidos. O aroma do café especial mistura-se ao perfume da vegetação. A temperatura da manhã integra-se ao sabor do pão recém-assado. A vista das montanhas acompanha a conversa entre o casal. Todos esses elementos formam uma única lembrança. O cérebro não separa a paisagem da experiência. Ele registra tudo como parte do mesmo momento. Na Pousada Casa Campestre, compreendemos que cada refeição pode transformar-se em uma memória afetiva. O café servido com calma. A mesa preparada com cuidado. A luz entrando pelas janelas. O silêncio da manhã. A vista da Serra da Mantiqueira. Tudo participa da construção daquela experiência. Não oferecemos apenas uma refeição. Procuramos oferecer um momento que permaneça vivo na lembrança.
Outro conceito relevante encontra-se no place attachment, o vínculo afetivo estabelecido entre pessoas e lugares. Esse vínculo fortalece-se quando o visitante associa determinado ambiente a acontecimentos importantes de sua vida. Um aniversário de casamento celebrado diante das montanhas. Uma lua de mel vivida em meio à natureza. Uma viagem realizada para descansar depois de um período intenso de trabalho. Um reencontro familiar. Uma conversa transformadora. Pouco a pouco, a paisagem deixa de ser apenas um cenário. Passa a representar uma parte da história daquela pessoa. É por isso que muitos visitantes retornam à Serra da Mantiqueira. Eles não procuram apenas rever uma bela paisagem. Desejam reencontrar as emoções vividas naquele lugar. Querem caminhar novamente pela mesma trilha. Sentar-se na mesma varanda. Observar o mesmo horizonte. Ouvir novamente o silêncio das montanhas. O retorno representa também um reencontro consigo mesmos e com as lembranças construídas durante visitas anteriores. Na Pousada Casa Campestre, percebemos esse fenômeno com frequência. Casais voltam anos depois e comentam que a vista continua despertando exatamente a mesma emoção. Alguns desejam ocupar o mesmo chalé. Outros procuram repetir uma fotografia feita em uma viagem anterior. Muitos relatam que bastou sentir novamente o perfume da vegetação ou observar a neblina envolvendo as montanhas para que todas as lembranças reaparecessem instantaneamente. A paisagem preserva uma extraordinária capacidade de despertar emoções adormecidas pelo tempo.
Outro aspecto importante refere-se à autenticidade. As memórias mais duradouras raramente são produzidas por cenários artificiais. Elas nascem de experiências verdadeiras. Um arco-íris surgindo inesperadamente depois da chuva. Um grupo de aves cruzando o céu ao amanhecer. O vento movimentando as copas das araucárias. A luz dourada iluminando as montanhas no fim da tarde. A natureza surpreende justamente porque nunca se repete. Cada momento torna-se único. Cada lembrança também. Por essa razão, a paisagem ocupa posição central na Hospitalidade de Excelência praticada na Pousada Casa Campestre. Ela não apenas embeleza o ambiente. Participa da construção das emoções, fortalece a memória afetiva e transforma acontecimentos simples em lembranças permanentes. Entendemos que receber bem também significa permitir que cada hóspede encontre tempo para contemplar, sentir e viver plenamente a Serra da Mantiqueira. Porque algumas viagens são lembradas pelos lugares visitados. Outras permanecem para sempre porque a paisagem passou a fazer parte da própria história de quem a viveu.
A Filosofia da Pousada Casa Campestre
Na filosofia da Pousada Casa Campestre, acreditamos que a maior lembrança que uma viagem pode deixar não é uma fotografia, um objeto ou um souvenir. A maior lembrança é uma emoção. São aqueles instantes que permanecem vivos mesmo quando o tempo passa, quando as malas já foram desfeitas e a rotina voltou a ocupar os dias. É a capacidade que determinados lugares possuem de continuar presentes dentro das pessoas muito depois da despedida. Para nós, essa é a verdadeira força da paisagem. Ao longo dos anos, Jefferson Renó e Alessandra Vinhas compreenderam que as pessoas raramente recordam apenas aquilo que viram. Elas recordam aquilo que sentiram. Uma montanha não permanece na memória apenas por sua beleza. Ela permanece porque foi observada durante uma conversa importante. Uma araucária não é lembrada apenas por sua imponência, mas porque fazia parte da vista contemplada durante um café da manhã inesquecível. Uma cachoeira não é lembrada apenas pelo volume de suas águas, mas pela sensação de paz experimentada naquele momento. A paisagem transforma-se em memória quando se encontra com a emoção.
Foi convivendo diariamente com nossos hóspedes que aprendemos essa diferença. Muitos chegam imaginando que voltarão para casa com belas fotografias. Naturalmente, elas fazem parte da viagem. Mas, ao longo dos dias, percebemos que aquilo que realmente permanece não pode ser registrado por nenhuma câmera. Permanece a sensação de abrir a janela pela manhã e encontrar as montanhas envolvidas pela neblina. Permanece o silêncio interrompido apenas pelo canto das aves. Permanece o aroma da mata depois da chuva. Permanece a tranquilidade de uma noite iluminada por milhares de estrelas. Essas experiências continuam existindo na memória muito depois que as imagens deixam de ser observadas. Também compreendemos que a paisagem nunca é exatamente igual para duas pessoas. Um mesmo horizonte pode despertar lembranças completamente diferentes. Para um casal, aquela vista representa o cenário onde aconteceu um pedido de casamento. Para outro, marca o início da lua de mel. Há quem associe as montanhas ao descanso depois de um período difícil da vida. Outros recordam o lugar como o espaço onde finalmente conseguiram desacelerar depois de anos vivendo em ritmo acelerado. A paisagem permanece a mesma. As histórias são sempre únicas.
Na Pousada Casa Campestre, testemunhamos diariamente como as montanhas tornam-se parte da história de quem nos visita. Muitos casais acordam cedo apenas para assistir ao nascer do sol. Permanecem em silêncio, segurando uma xícara de café, enquanto a luz começa lentamente a revelar os contornos da Serra da Mantiqueira. Não existe pressa. Não existe programação. Existe apenas o privilégio de assistir a um espetáculo que acontece todos os dias e, ao mesmo tempo, nunca se repete da mesma maneira. Outros hóspedes escolhem observar o entardecer. Sentam-se na varanda do chalé ou caminham lentamente pelos jardins enquanto o céu muda de cor. O dourado transforma-se em laranja. O laranja dá lugar aos tons avermelhados. Pouco depois, as montanhas tornam-se apenas silhuetas contra o horizonte. Muitas conversas importantes acontecem exatamente nesse momento. Muitas decisões são tomadas diante dessa paisagem. Muitas lembranças começam ali. Também percebemos que a chuva ocupa um lugar especial na memória de quem visita a Mantiqueira. Em muitos destinos turísticos, a chuva representa um contratempo. Aqui, ela frequentemente transforma-se em experiência. O som das gotas sobre a vegetação. A neblina envolvendo lentamente os vales. O perfume intenso da terra molhada. O café servido enquanto a paisagem desaparece entre as nuvens. A chuva modifica completamente a atmosfera da viagem e cria memórias que surpreendem até aqueles que imaginavam encontrar apenas dias ensolarados.
Outro momento frequentemente lembrado por nossos hóspedes acontece durante a noite. A ausência de poluição luminosa permite contemplar um céu extraordinariamente estrelado. Muitos visitantes permanecem longos minutos apenas observando as constelações. Alguns identificam planetas. Outros acompanham o movimento lento da Via Láctea. Há casais que encerram o dia conversando sob esse céu, descobrindo que a contemplação também aproxima as pessoas. São momentos simples, mas profundamente marcantes. Ao longo dos anos, também aprendemos que determinadas lembranças surgem de experiências absolutamente cotidianas. O cheiro do café recém-passado pela manhã. O vapor subindo lentamente da xícara em uma manhã fria. O vento movimentando as copas das araucárias. O som de um riacho ao fundo durante uma caminhada. O voo inesperado de um tucano cruzando o vale. O perfume das flores na primavera. A mudança das folhas durante o outono. Pequenos acontecimentos tornam-se referências permanentes da viagem. Muitos hóspedes nos escrevem meses ou anos depois contando que determinadas situações despertaram imediatamente as lembranças de Gonçalves. O aroma de um café especial trouxe de volta o amanhecer na Serra da Mantiqueira. O cheiro da terra depois da chuva fez recordar uma caminhada pelos jardins. Uma noite estrelada durante outra viagem despertou a memória das montanhas. Uma fotografia esquecida em um porta-retratos fez reviver emoções que pareciam adormecidas. A paisagem continua vivendo dentro das pessoas porque ela foi incorporada à sua memória afetiva.
Na Pousada Casa Campestre, compreendemos que preservar a paisagem significa também preservar essas futuras lembranças. Cada árvore mantida. Cada jardim cuidadosamente cultivado. Cada área de vegetação protegida. Cada vista preservada para as montanhas. Tudo isso representa um compromisso não apenas com a natureza, mas também com as histórias que nossos hóspedes construirão aqui. A paisagem de hoje será a lembrança de alguém amanhã. Também acreditamos que contemplar é uma forma de hospitalidade. Vivemos em uma sociedade que frequentemente valoriza a velocidade, a produtividade e o excesso de atividades. A paisagem da Serra da Mantiqueira convida exatamente ao contrário. Ela ensina a permanecer. A observar. A respirar profundamente. A perceber a passagem da luz sobre as montanhas. A escutar o silêncio. A permitir que o tempo siga seu ritmo natural. Quando isso acontece, a memória deixa de registrar apenas um lugar. Ela registra um estado de espírito. Outra importante lição que aprendemos é que a paisagem nunca termina quando a viagem acaba. Ela continua presente nas conversas entre o casal, nas histórias contadas aos amigos, nas fotografias revisitadas, nos sabores que despertam lembranças e no desejo de retornar. Muitos hóspedes afirmam que, sempre que pensam na Serra da Mantiqueira, imediatamente experimentam uma sensação de calma. Isso demonstra que a paisagem passou a existir não apenas diante dos olhos, mas também dentro da memória.
Foi exatamente essa compreensão que orientou nossa forma de receber. Não procuramos criar cenários artificiais. Não desejamos competir com a beleza da natureza. Nossa missão consiste em preservá-la, valorizá-la e permitir que ela participe da experiência de cada visitante. Entendemos que a paisagem é uma das maiores expressões da Hospitalidade de Excelência porque possui a capacidade de acolher silenciosamente, despertar emoções autênticas e construir lembranças que permanecerão vivas por toda a vida. Na Pousada Casa Campestre, acreditamos que algumas paisagens são bonitas. Outras tornam-se inesquecíveis. A diferença não está apenas na beleza do lugar, mas nas histórias que ali são vividas. Quando a serenidade das montanhas encontra momentos de felicidade, descanso, amor, contemplação e reencontro, a paisagem deixa de ser apenas natureza. Ela transforma-se em memória. E poucas formas de hospitalidade são tão profundas quanto oferecer às pessoas um lugar que continuará existindo dentro delas muito tempo depois do retorno para casa.
Reflexão dos fundadores
Ao longo da nossa caminhada, percebemos que a paisagem possui um poder extraordinário. Ela não conversa, não faz promessas e não procura chamar atenção. Mesmo assim, continua sendo uma das maiores responsáveis pelas lembranças que nossos hóspedes levam consigo. É emocionante ouvir relatos de casais que dizem lembrar exatamente da vista que encontraram ao abrir a janela do chalé, do silêncio da manhã, da neblina percorrendo lentamente as montanhas ou da primeira noite sob um céu completamente estrelado. Esses momentos nos mostram que a natureza possui uma linguagem própria. Ela fala por meio da emoção, da serenidade e da contemplação. Esperamos que cada pessoa que passe pela Pousada Casa Campestre leve consigo muito mais do que belas imagens. Desejamos que leve lembranças capazes de trazer paz sempre que forem recordadas. Porque acreditamos que algumas paisagens desaparecem quando a viagem termina. Outras permanecem vivas para sempre, transformando-se em parte da história de quem teve o privilégio de vivê-las.
Jefferson Renó e Alessandra Vinhas
Fundadores da Pousada Casa Campestre
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